A Madeira ergue-se sobre um dos canhões submarinos mais profundos do Atlântico, e o fundo do mar cai de uma plataforma estreita para mais de 3.000 metros a poucas milhas náuticas do Funchal. É essa geografia que explica a quantidade de vida marinha que passa tão perto da costa. Eis o que pode realmente esperar ver, ordenado pela probabilidade de o avistar, e em que altura.
1. Baleias-piloto-de-barbatana-curta
A baleia-piloto é a baleia residente da Madeira, presente todo o ano em grupos familiares de 10 a 30 animais. Deslocam-se devagar e descansam à superfície durante longos períodos, o que as torna a baleia mais fácil de observar com calma nesta lista, em vez de apenas vislumbrar — um barco silencioso com o motor desligado pode ficar junto a um grupo em repouso durante vários minutos.
2. Golfinhos-roazes
O avistamento mais comum ao largo do Funchal, muitas vezes em grupos de 20 a 80 animais. Os golfinhos-roazes são naturalmente curiosos e aproximam-se com frequência do barco por iniciativa própria, surfando a onda de proa esteja o motor ligado ou não — embora fiquem mais tempo assim que é desligado.
3. Golfinhos-comuns
Mais rápidos e acrobáticos do que os golfinhos-roazes, os golfinhos-comuns deslocam-se em grupos grandes, por vezes enormes, e são entusiastas e enérgicos a surfar a proa. Veem-se durante todo o ano e costumam proporcionar o encontro mais animado de qualquer passeio.
4. Golfinhos-pintados-do-atlântico
Uma presença sazonal, sobretudo entre junho e setembro. Os adultos identificam-se facilmente pelas manchas cinzentas e brancas que lhes dão o nome — as crias nascem lisas, de cor cinzenta, e desenvolvem as manchas com a idade.
5. Tartarugas-comuns
As tartarugas-comuns sobem à superfície para respirar ao longo de todo o verão e mostram-se notavelmente indiferentes a um barco silencioso e à deriva — encontros a poucos metros de distância não são raros num dia calmo. Veem-se com mais frequência a descansar à superfície do que a nadar ativamente.
6. Cachalotes
A maior baleia dentada do planeta, e o avistamento mais raro ao largo da Madeira. Os cachalotes passam em migração, mais frequentemente reportados na primavera e no outono, e quando avistados costumam repousar imóveis à superfície antes de um mergulho profundo que pode durar 30 minutos.
7. Focas-monge do Mediterrâneo
Cerca de 25 a 30 focas-monge vivem junto às Ilhas Desertas, uma reserva natural rigorosa a cerca de 22 milhas náuticas a sudeste do Funchal — o que torna este o único animal da lista que não se vê num passeio costeiro normal. Os avistamentos ficam reservados às excursões de dia inteiro às Desertas com operadores licenciados, e mesmo assim um desembarque ou um encontro próximo nunca está garantido.
8. Peixes-voadores
Praticamente garantidos em condições de mar chão e calmo. Os peixes-voadores saltam da superfície e planam entre 20 a 30 metros com as barbatanas peitorais bem abertas antes de voltarem a entrar na água — um clarão prateado e estranho que a maioria dos visitantes de primeira viagem não espera das águas da Madeira.
9. Raias-manta
Um avistamento ocasional mas memorável nos meses mais quentes, geralmente vistas a alimentar-se perto da superfície, com as suas características barbatanas peitorais, em forma de asa, a romperem a água. Muito menos previsíveis do que os golfinhos ou as baleias-piloto, mas um verdadeiro ponto alto quando acontece.
10. Peixes de recife nas enseadas costeiras
Longe das espécies de mar aberto, as enseadas junto à costa entre o Funchal e o Cabo Girão têm o seu próprio espetáculo: cardumes de bodiões e peixes-papagaio, alguma moreia ocasional escondida nas rochas, e água limpa o suficiente durante a maior parte do ano para ver tudo isto à superfície, apenas com máscara e snorkel. É o encontro fiável e do dia a dia que preenche os espaços entre os avistamentos mais raros de mar aberto — e exatamente o tipo de paragem incluída no Day Trip da Chifbay, que junta um banho na Fajã dos Padres ao percurso rico em vida selvagem ao longo da costa sul.
Alguns destes animais veem-se em todos os passeios. Outros, é sorte ver uma vez. É isso que torna as águas da Madeira dignas de ser observadas com atenção.
Nada disto exige uma expedição especializada. A maioria destes avistamentos — baleias-piloto, as duas espécies de golfinho comuns, tartarugas, peixes-voadores e a vida de recife costeira — acontece ao longo do mesmo troço de costa sul que um curto passeio de barco privado a partir do Funchal já percorre, ficando as focas-monge das Desertas como a única exceção que vale um dia inteiro dedicado, caso o tenha disponível.