É a pergunta que ouvimos de quase todos os hóspedes que nunca andaram num barco pequeno: "vou ficar enjoado?" Aqui fica a resposta honesta — o que realmente causa o enjoo, porque a costa sul da Madeira é mais suave do que se espera, e o que fazer se for propenso a ele.
O enjoo é comum num passeio de barco na Madeira?
É menos comum do que a maioria dos visitantes de primeira viagem imagina. O enjoo surge quando o ouvido interno entra em desacordo com o que os olhos veem — o movimento que sente não corresponde a um horizonte fixo, e esse desfasamento é pior em mar aberto e agitado. A costa sul da Madeira, protegida pela própria massa da ilha dos ventos predominantes de norte e nordeste, não se comporta como o Atlântico aberto. Os barcos que navegam entre Funchal, Câmara de Lobos e Ribeira Brava mantêm-se sempre perto de terra, numa água que costuma ser um balanço suave em vez de um mar picado. A maioria dos hóspedes que se preocupava com isto antes conta-nos depois que nunca mais pensou no assunto assim que zarpámos.
Porque é o mar mais calmo ao longo da costa sul da Madeira?
Porque a própria ilha funciona como um quebra-vento. As montanhas da Madeira erguem-se de forma abrupta a partir da costa, e o vento e a ondulação predominantes vêm de norte — por isso a costa sul, que vai do Funchal, passando por Câmara de Lobos e pelo Cabo Girão, até Ribeira Brava, fica a sotavento da ilha durante a maior parte do ano. É precisamente esse o troço de costa que o nosso Passeio de Dia e Passeio ao Pôr do Sol percorrem. As condições continuam a variar de dia para dia, e é por isso que qualquer operador responsável verifica a previsão marítima antes de cada partida em vez de prometer água calma independentemente do tempo — mas, estruturalmente, esta costa é praticamente o que há de mais indulgente para navegar na Madeira.
O que ajuda realmente a prevenir o enjoo?
Olhar para o horizonte ajuda mais do que a maioria das pessoas espera — fixar o olhar num ponto distante e estável ressincroniza o ouvido interno com aquilo que os olhos veem, e é por isso que o pior sítio para se sentar é por baixo do convés ou a olhar para o telemóvel. Ficar perto do centro do barco, onde o movimento é menor, também ajuda, tal como o ar fresco em vez de uma cabine abafada. Se sabe que é propenso a enjoos, os comprimidos de venda livre como a cinarizina ou o dimenidrinato funcionam bem quando tomados 30 a 60 minutos antes de embarcar, e as pulseiras de acupressão são uma opção razoável e sem efeitos secundários que muitos hóspedes já trazem de voos ou de travessias de ferry.
O que deve comer e beber antes de um passeio de barco?
Algo leve e simples, uma a duas horas antes — torradas, fruta ou uma sandes simples assentam muito melhor do que uma refeição pesada e gordurosa ou nada de todo. Um estômago vazio é quase tão mau como um estômago demasiado cheio, e o álcool na noite anterior agrava a sensibilidade ao movimento, em vez de a melhorar. A bordo, pequenos goles de água e evitar o sol direto ajudam mais do que se costuma pensar; a desidratação e o sobreaquecimento agravam o enjoo por si só, independentemente do movimento do barco.
Qual passeio da Chifbay é mais suave se estiver preocupado com isso?
Ambos percorrem exatamente o mesmo troço protegido da costa, por isso nenhum tem uma vantagem estrutural — mas há algumas diferenças práticas que vale a pena conhecer. O Passeio de Dia (2h30, €500, ou 3h até Ponta do Sol, €600) inclui paragens para banho na Fajã dos Padres e em Ribeira Brava, o que dá a oportunidade de sair do barco e recuperar, se precisar disso. O Passeio ao Pôr do Sol (2h, €400, ou 2h30 até Ribeira Brava, €500) parte às 18:00, quando o vento do dia já costuma ter amainado, e mantém-se sempre em movimento, em vez de fundear para nadar — alguns hóspedes acham mais fácil um barco a navegar de forma constante a uma velocidade confortável do que um barco a balançar fundeado. De qualquer das formas, estar num charter privado apenas com o seu grupo significa que pode pedir à tripulação para ajustar a velocidade ou o percurso assim que algo pareça errado, o que não é uma opção num passeio partilhado.
Um pequeno barco privado é pior do que um grande catamarã em termos de movimento?
Na prática, não, embora o movimento se sinta diferente. Um barco mais pequeno sente cada onda de forma mais direta, pelo que se sente mais do movimento real do mar do que se sentiria num catamarã grande e pesado que o amortece. Em troca, um pequeno charter privado dá-lhe controlo: vistas desimpedidas do horizonte a partir de qualquer ponto do barco, sem multidões a bloquear a amurada, e uma tripulação que conhece a costa o suficiente para abrandar nos raros trechos de mar mais picado, em vez de cumprir um horário fixo. Para a maioria dos hóspedes, essa troca compensa.
O mar não precisa de estar liso para ser agradável — só precisa de uma tripulação que saiba lê-lo bem.
Se já teve enjoo antes, não deixe que isso o afaste da água na Madeira. Avise a tripulação quando reservar, sente-se onde consiga ver o horizonte, e lembre-se de que esta costa é praticamente o que há de mais protegido para navegar na ilha.