A maioria dos visitantes que caminha nas montanhas da Madeira segue para o Pico do Arieiro e nunca percebe que, na verdade, não é o ponto mais alto da ilha. Esse título pertence ao Pico Ruivo, um cume a que só se chega a pé — e que, consoante a rota escolhida, tanto pode ser um passeio fácil como um dos trilhos de crista mais exigentes de Portugal.
Qual é a altitude do Pico Ruivo, e é mesmo o ponto mais alto da Madeira?
Sim — com 1,862 metros, o Pico Ruivo é o ponto mais alto da ilha, à frente do Pico das Torres, com 1,851m, e bem acima do Pico do Arieiro, com 1,818m, o pico que a maioria dos visitantes presume ser o mais alto por ser o único com acesso rodoviário e parque de estacionamento. O Pico Ruivo não tem qualquer estrada. Todas as rotas até ao cume fazem-se a pé, o que em parte explica por que parece mais selvagem e mais silencioso do que o seu vizinho, muito mais famoso e fotografado.
Qual é a forma mais fácil de subir — a rota a partir de Achada do Teixeira?
O trilho PR1.2, a Vereda do Pico Ruivo, é a opção curta e acessível. Começa em Achada do Teixeira, uma zona de estacionamento acessível de carro, perto de uma formação rochosa basáltica conhecida localmente como "Homem em Pé", e percorre 2.8 quilómetros só de ida até ao cume — 5.6km ida e volta — por um caminho bem pavimentado, com uma subida constante mas gerível de cerca de 1.5 hora em cada sentido. É classificado como moderado, e não difícil, sendo a rota que a maioria dos visitantes de primeira viagem e das famílias usa para pisar o verdadeiro ponto mais alto da Madeira sem precisar de um dia inteiro de caminhada de crista.
Como é o trilho de crista PR1 a partir do Pico do Arieiro?
É uma caminhada completamente diferente. O PR1, a Vereda do Areeiro, liga o Pico do Arieiro ao Pico Ruivo ao longo de cerca de 6 quilómetros de crista vulcânica exposta, demorando cerca de três horas só de ida. O trilho atravessa cinco túneis sem iluminação, escavados em tufo vulcânico — leve uma lanterna de cabeça — com quedas acentuadas de ambos os lados e troços de escadas e corrimãos fixados na rocha. É frequentemente considerado um dos trilhos de crista mais espetaculares da Europa, e também um dos mais sérios da ilha: não é escalada técnica, mas também não é um passeio casual.
É preciso reservar o Pico Ruivo em 2026?
Sim, em ambas as rotas. Desde a reabertura na primavera de 2026, após um encerramento por incêndio florestal, o acesso aos trilhos PR1 e PR1.2 passa pelo sistema de reservas online SIMplifica, com um horário marcado e uma pequena taxa de acesso — cerca de €4.50, ou cerca de €3 se reservar através de um operador de protocolo registado. Os residentes da Madeira e as crianças até aos 12 anos estão isentos da taxa, mas ainda assim têm de registar o horário. Os vigilantes verificam um código QR no início do trilho, por isso vale a pena reservar com um ou dois dias de antecedência em vez de aparecer à espera de encontrar vaga.
Há algum sítio para comer ou dormir na montanha?
Há um abrigo simples, não um restaurante. A Casa de Abrigo do Pico Ruivo situa-se mesmo abaixo do cume e funciona como refúgio de montanha, não como café — útil em caso de mau tempo, mas não é um sítio onde se possa contar comprar comida ou água. Uma segunda casa-abrigo encontra-se no início do trilho, em Achada do Teixeira. Leve tudo o que precisar consigo; não há qualquer tipo de serviço assim que se entra no trilho.
Qual é a melhor altura para caminhar, e o que se deve levar?
De manhã cedo, pela mesma razão que torna o Pico do Arieiro famoso ao nascer do sol: as nuvens tendem a acumular-se ao longo do dia, e o efeito de "mar de nuvens" por baixo dos picos está mais nítido antes do meio da manhã. As temperaturas a 1,862 metros ficam 10-15°C mais frias do que no Funchal, ao nível do mar, com um vento que aumenta depressa e com pouco aviso, por isso as camadas de roupa contam mesmo num dia quente na costa. Se optar pela crista PR1, acrescente uma lanterna de cabeça para os túneis e calçado resistente para os troços expostos — o PR1.2 a partir de Achada do Teixeira é suficientemente fácil para ténis e um casaco leve.
Como se compara um cume de montanha a um passeio de barco ao nível do mar?
É a mesma ilha vista a partir dos dois extremos da sua altitude. O Pico Ruivo mostra a espinha dorsal vulcânica da Madeira e, numa manhã limpa, um mar de nuvens debaixo dos pés; um passeio de barco privado com a Chifbay ao longo da costa sul mostra a mesma ilha a partir da água, com a falésia de 580 metros do Cabo Girão a erguer-se diretamente do Atlântico e paragens para nadar que a maioria dos caminhantes nunca chega a ver. Nenhuma das vistas substitui a outra — combinar uma caminhada matinal na montanha com uma tarde na água é uma forma genuinamente boa de aproveitar um dia na Madeira.
Seja qual for a rota escolhida, o Pico Ruivo recompensa o planeamento extra: reserve o horário, vista-se para a altitude, e ficará no verdadeiro ponto mais alto de uma ilha que a maioria dos visitantes só vê a partir do seu terceiro pico mais alto.
Perguntas frequentes
Qual é a altitude do Pico Ruivo?
1,862 metros — o ponto mais alto da Madeira, à frente do Pico das Torres (1,851m) e do Pico do Arieiro (1,818m).
É preciso reservar o Pico Ruivo com antecedência?
Sim, através do SIMplifica, com uma pequena taxa (cerca de €4.50) — residentes e menores de 12 anos estão isentos da taxa, mas ainda assim precisam de um horário marcado.
O Pico Ruivo é mais difícil do que o Pico do Arieiro?
O curto PR1.2 a partir de Achada do Teixeira é mais fácil; o trilho de crista PR1 a partir do Arieiro é consideravelmente mais difícil, com túneis e quedas expostas.
Podem os principiantes fazer a subida ao Pico Ruivo?
Sim, pela PR1.2 a partir de Achada do Teixeira — um caminho pavimentado de 2.8km em cada sentido, gerível para a maioria dos caminhantes em boa forma.
O que devo levar?
Camadas de roupa quente, calçado resistente, água, a confirmação da reserva SIMplifica, e uma lanterna de cabeça se seguir a crista PR1 e os seus túneis sem iluminação.