Todos os guias dizem para visitar o mercado do Funchal. Poucos dizem qual o piso por onde começar, que bancas evitar, ou que o próprio edifício é uma peça de arquitetura cívica dos anos 1940 que vale a pena admirar mesmo sem comprar nada. Eis o que é, de facto, o Mercado dos Lavradores, e como o visitar como deve ser.
O que é o Mercado dos Lavradores, e porque é o mercado mais famoso do Funchal?
É o mercado coberto permanente do Funchal para fruta, flores, legumes e peixe, construído em 1940 para dar aos agricultores e pescadores da cidade um verdadeiro pavilhão comercial em vez de bancas ao ar livre. O edifício Art Déco foi projetado pelo arquiteto Edmundo Tavares, e a sua fachada, a entrada principal e a peixaria estão revestidas de painéis de azulejos de João Rodrigues que retratam a vida do mercado e cenas regionais — motivo suficiente, por si só, para lá entrar, mesmo que não compre nada. O nome traduz-se simplesmente por "mercado dos trabalhadores da lavoura", e mais de oitenta anos depois continua a ser um mercado a funcionar, não uma peça de museu, a poucos minutos a pé da Zona Velha.
O que vai encontrar lá dentro, na prática?
O piso térreo e o pátio central são dedicados a fruta, legumes e flores, com bancas repletas de produtos que a maioria dos visitantes nunca viu antes — anona, tamarillo, maracujá, papaia e a pequena e doce banana da Madeira, ao lado dos mais familiares mangas e abacates. Produtores de toda a ilha trazem os seus produtos diariamente, por isso a oferta varia ligeiramente consoante a época, mas a verdadeira razão de ser é a densidade de cores e aromas: é isto que uma ilha atlântica subtropical realmente produz, tudo disposto num só piso.
Quem são as floristas, e porque usam traje regional?
São floristas que dão continuidade a uma das tradições mais antigas do mercado — mulheres que vendem ramos de estrelícias, orquídeas e proteias vestidas com a "saia à Madeirense", o traje tradicional bordado e de cores vivas da ilha, com saia às riscas vermelhas e amarelas e barrete pontiagudo. É um dos cantos mais fotografados do mercado, e embora algumas bancas hoje em dia joguem um pouco para as câmaras, o comércio de flores em si é genuinamente antigo — a indústria de exportação de flores da Madeira tem estado centrada neste edifício há gerações.
O que há no piso de baixo, na peixaria?
Um mundo completamente diferente. O piso inferior, revestido do chão ao teto em azulejos azuis e brancos, é a peixaria do Funchal — o lugar para ver atuns inteiros e a captura de alto mar mais emblemática da Madeira, o espada (peixe-espada preto), pescado a profundidades de até 800 metros por barcos locais e disposto sobre bancadas de mármore todas as manhãs. É mais ruidoso, mais frio e menos preparado para turistas do que o piso de cima, e vale a pena descer mesmo que não vá cozinhar nada esta noite — é o retrato mais nítido, em toda a ilha, do que realmente sai do Atlântico aqui.
Quando deve visitar — e quando deve evitar?
O período ideal é uma manhã de sexta ou sábado, de preferência antes das 10h, quando as bancas dos produtores locais estão mais frescas e a peixaria está a todo o vapor. O mercado abre de segunda a sexta-feira sensivelmente das 7h às 19h e ao sábado das 7h às 14h, encerrando totalmente aos domingos e feriados. A meio da manhã, nos dias de cruzeiro, o piso térreo enche rapidamente, por isso uma visita cedo — ou já ao fim da tarde num dia de semana — dá-lhe uma versão muito mais tranquila do mesmo mercado.
Os preços são mesmo mais altos para os turistas?
Em algumas bancas, sim. As exposições fixas de fruta mais próximas da entrada principal são conhecidas por cobrar visivelmente mais do que as bancas mais para dentro ou na galeria superior, mais usadas pelos residentes a fazer as compras da semana. Pergunte o preço antes de comprar seja o que for, e não se sinta mal por passar à frente da primeira fila para comparar — é prática comum, não falta de educação. Muitos vendedores também oferecem provas gratuitas de fruta exótica para atrair clientes; costumam ser intensamente doces, o que é exatamente o objetivo, por isso prove um pouco antes de se comprometer com um saco.
Como encaixa o mercado num dia mais alargado a explorar a costa da Madeira?
O atum e o espada dessas bancadas de mármore são desembarcados por pequenos barcos que trabalham nas mesmas águas que um passeio de barco privado com a Chifbay percorre ao passar por Câmara de Lobos — o mercado é onde essa pesca acaba, algumas horas depois. Combinar uma manhã no mercado com uma tarde no mar dá-lhe as duas pontas da cadeia alimentar da Madeira num único dia: onde o peixe é vendido, e onde é realmente pescado.
Se saltar esta paragem, ainda assim terá uma boa viagem à Madeira. Mas percorra-o como deve ser — os dois pisos, um início cedo, algumas perguntas honestas sobre preços — e vai perceber mais sobre como a ilha come do que em quase qualquer outro sítio onde possa passar uma hora no Funchal.
Perguntas frequentes
A que horas abre o Mercado dos Lavradores?
De segunda a sexta-feira sensivelmente das 7h às 19h, ao sábado das 7h às 14h — encerrado aos domingos e feriados.
Está aberto aos domingos?
Não, o mercado está encerrado todos os domingos e feriados.
Qual é a melhor altura para visitar?
Sexta ou sábado de manhã antes das 10h, antes das horas de maior movimento na peixaria e das multidões dos cruzeiros.
Os vendedores cobram mais aos turistas?
Algumas bancas fixas perto da entrada sim — pergunte primeiro os preços e compare com bancas mais para dentro ou no piso de cima.
Que comida se pode provar lá?
Provas gratuitas de fruta exótica no piso de cima, além de atum fresco e espada na peixaria de azulejos no piso de baixo.