A Madeira é vendida como uma ilha de caminhadas e luas de mel, o que faz as famílias subestimá-la. Na prática, é um destino fácil para viajar com crianças — trajetos curtos, tempo ameno em quase qualquer mês, e atividades sem caminhadas suficientes para preencher uma semana inteira. Eis o que realmente funciona, e o que evitar.
A Madeira é um bom destino para férias em família?
Sim — a grande vantagem da Madeira para famílias é que nada fica longe. O Funchal, o aeroporto e a maioria dos resorts da costa sul situam-se a 40 minutos de carro uns dos outros, por isso não se perdem dias inteiros em transferes como poderia acontecer num destino maior. O clima subtropical da ilha mantém as temperaturas diurnas amenas durante o inverno e quentes sem ser sufocantes no verão, e como a Madeira quase não tem praias de areia natural, a maior parte dos banhos acontece em piscinas de água do mar calmas, pouco profundas e construídas para o efeito, em vez de mar aberto — genuinamente mais fácil de vigiar crianças pequenas do que numa praia com ondas.
O que podem as crianças fazer na Madeira?
As atividades que melhor funcionam com crianças não envolvem caminhadas. O teleférico do Monte, que sobe a partir do Funchal, é uma experiência em si mesma, e os carros de cesto — trenós de vime conduzidos por dois homens de chapéu de palha pelas ruas abaixo do Monte — são, para a maioria das crianças, a coisa mais memorável que fazem na ilha. O Museu CR7 no Funchal e o Museu da Baleia em Machico funcionam bem para crianças curiosas sobre futebol ou vida marinha, e o Parque de Santa Catarina no Funchal tem um parque infantil e um lago com patos para uma tarde mais tranquila. Para crianças mais crescidas, um passeio de barco cobre mais terreno — literalmente — do que quase tudo em terra, e não exige qualquer caminhada.
As crianças pequenas podem fazer um passeio de barco na Madeira?
Sim, e um charter privado convém muito mais às famílias do que um passeio partilhado. Num barco partilhado ficam presos ao horário de outra pessoa e a um convés cheio de desconhecidos; num barco privado — como o passeio de dia da Chifbay a partir da Marina do Funchal — o barco é só vosso, por isso podem encurtar uma paragem para banho se um bebé já tiver tido que chegue, manter os coletes salva-vidas o tempo todo, e evitar tudo o que não convenha ao grupo. O passeio de dia percorre o trecho mais calmo da costa entre Câmara de Lobos e a Fajã dos Padres, com paragens para banho em vez de travessias em mar aberto, o que importa mais para famílias do que para adultos sem crianças. Já o passeio ao pôr do sol, pelo contrário, não inclui banhos — a água já está demasiado fria às 18:30 — por isso convém mais a crianças mais crescidas do que a bebés que vêm à procura de um mergulho.
Que praias e piscinas são mais seguras para famílias?
Os banhos mais calmos e adequados a famílias na Madeira encontram-se em piscinas fechadas e alimentadas pelo mar, em vez de praias abertas. As piscinas naturais vulcânicas de Porto Moniz são as mais famosas, embora possam ficar agitadas com a ondulação e convenham mais a nadadores confiantes do que a crianças muito pequenas; o complexo do Lido, do próprio Funchal, no lado sul da cidade, é mais calmo e mais próximo da maioria dos hotéis, com nadadores-salvadores e zonas pouco profundas. Calheta tem a única praia de areia importada da ilha, com declive suave e popular entre as famílias exatamente por isso. Para quem chega de barco em vez de por estrada, enseadas abrigadas como a Fajã dos Padres oferecem água plana e sem correntes, mais fácil de gerir com crianças do que uma praia aberta.
Onde devem ficar hospedadas as famílias na Madeira?
O próprio Funchal é a base mais fácil — coloca o aeroporto, a marina, os restaurantes e as piscinas do Lido a uma curta viagem de táxi, sem depender de um carro alugado todos os dias. As famílias que preferem uma estadia mais tranquila e ao estilo resort tendem a ir ligeiramente para oeste, em direção a Câmara de Lobos ou Ponta do Sol, ambas ainda suficientemente próximas do Funchal para uma excursão de um dia em qualquer direção. Onde quer que fiquem, reservem com algumas semanas de antecedência tudo o que exija um número fixo de participantes — incluindo passeios de barco privados — em julho e agosto, quando os próprios visitantes de verão da Madeira aumentam a procura.
O que levar numa viagem à Madeira com crianças?
As camadas de roupa importam mais do que o protetor solar sozinho — os microclimas da Madeira fazem com que uma manhã quente no Funchal se torne fresca e húmida uma hora depois em altitude, por isso um casaco leve para cada criança vale bem o espaço na mala mesmo no verão. Protetor solar respeitador dos recifes, um bom chapéu de sol e sapatos de água para as piscinas de rocha vulcânica são os outros essenciais; a rocha na maioria das piscinas naturais é afiada debaixo dos pés, e andar descalço é a causa mais comum de uma tarde estragada.
A ilha recompensa as famílias que planeiam em torno da água, não das montanhas.
A Madeira não vai parecer umas típicas férias de praia em família, e é precisamente esse o ponto — troca a areia larga e os parques aquáticos por piscinas calmas, trajetos curtos e uma costa que se explora melhor a partir de um barco. Basta incluir alguns dias tranquilos e sem caminhadas no itinerário para funcionar tão bem para uma criança de cinco anos como para uma lua de mel.