Todos os anos, no final de outubro, a aldeia-cratera de Curral das Freiras enche-se com o cheiro a castanhas assadas e com o som de um cortejo que serpenteia pelas suas ruas estreitas. Eis quando acontece a Festa da Castanha em 2026, o que se passa realmente e como chegar até lá a partir do Funchal.
Quando é a Festa da Castanha em 2026?
A Festa da Castanha decorre de sábado, 31 de outubro, a domingo, 1 de novembro de 2026, em Curral das Freiras, no concelho de Câmara de Lobos. É a 38.ª edição do vale, calendarizada todos os anos para coincidir exatamente com o final da apanha local da castanha, quando as árvores nas encostas circundantes acabam de largar a sua colheita. Como acontece na maioria das festas de aldeia na Madeira, os horários exatos das tasquinhas e a hora de início do cortejo costumam só ser confirmados poucas semanas antes, por isso vale a pena consultar a agenda municipal de Câmara de Lobos ou o calendário cultural da Madeira mais perto da data.
O que acontece, na prática, na festa?
O ponto alto é o Cortejo Alegórico, um desfile com mais de 350 participantes caracterizados e carros alegóricos decorados que percorrem a aldeia a celebrar a colheita. Em torno dele, as ruas e o recinto principal enchem-se de dezenas de tasquinhas geridas por produtores locais de castanha e noz, que vendem a sua colheita a par de pratos feitos com ela, além de atuações de folclore e música ao vivo ao longo do fim de semana. É uma festa de aldeia, e não um evento turístico encenado — o público é, na sua maioria, madeirense, que sobe da costa propositadamente para este fim de semana, o que é, em parte, o que a torna digna de uma visita.
O que se pode comer e beber por lá?
As castanhas assadas, vendidas quentes diretamente da frigideira, são o ponto de partida óbvio, mas as tasquinhas vão muito além disso: licor de castanha (um licor doce de castanha), bolo de castanha (um bolo denso de castanha), sopa de castanha, mel, nozes e outros produtos do vale surgem ao longo de todo o fim de semana. A poncha também marca presença, como acontece em praticamente todos os convívios ao ar livre da ilha. Os preços são definidos tasquinha a tasquinha, e não de forma centralizada, e tudo é confecionado e vendido em pequenas quantidades, por isso a comida está mais fresca quanto mais cedo chegar.
A entrada na festa é gratuita?
Sim — a entrada no recinto da festa é gratuita, e só paga aquilo que comprar depois de lá estar: comida, bebidas e estacionamento, quando aplicável. É algo típico das festas de aldeia na Madeira, que são financiadas e organizadas pela câmara municipal e pela comunidade local, em vez de funcionarem como um evento comercial com bilhete.
Onde fica Curral das Freiras, e como se chega lá?
Curral das Freiras fica no interior, num vale vulcânico em forma de cratera rodeado por alguns dos picos mais altos da Madeira, a cerca de 20 a 25 minutos de carro do Funchal pela ER107, que atravessa um túnel na montanha para chegar à aldeia. Não existe qualquer via costeira ou de barco até lá — é a única parte da ilha a que realmente precisa de um carro (ou táxi/minibus de excursão) para chegar. A maioria dos visitantes combina o trajeto com uma paragem no miradouro da Eira do Serrado, mesmo antes do túnel, que oferece a clássica vista aérea sobre o vale antes de descer até ele.
Vale a pena combinar com um passeio de barco nesse dia?
Pode resultar bem como um dia em duas partes, já que a costa e o vale-cratera são um contraste tão grande. Um Passeio de Dia matinal pela costa sul — Câmara de Lobos, Cabo Girão, um banho na Fajã dos Padres — termina no início da tarde, deixando luz do dia suficiente para subir até Curral das Freiras e apanhar a festa antes do anoitecer. Basta contar com tempo extra para o trajeto: é uma estrada completamente diferente da que sai da marina, e o trânsito para o vale vai ficando mais intenso ao longo do dia durante o fim de semana da festa.
A costa dá-lhe o mar. A Festa da Castanha dá-lhe o único fim de semana do ano em que Curral das Freiras deixa de estar sossegada.
É uma festa pequena e local, e não um evento de cartaz, e é exatamente isso que a torna especial — castanhas assadas, um cortejo de que ninguém fora da Madeira ouviu falar, e um vale que passa o resto do ano em silêncio.