Câmara de Lobos é o primeiro lugar por onde passa mesmo qualquer barco que sai do Funchal — um porto de pesca em funcionamento, nove quilómetros a oeste da marina, com barcos pintados encostados a uma parede de falésia. A maioria dos visitantes conhece a vila por uma única anedota sobre Churchill e segue viagem de carro. Eis o que a vila tem, de facto, para justificar a paragem.
Onde fica Câmara de Lobos, e como se chega lá?
Câmara de Lobos fica na costa sul da Madeira, a cerca de 9 quilómetros — 15 minutos de carro — a oeste do Funchal, alcançada pela via rápida VE4 ou pela antiga estrada costeira que desce até à própria vila. Por mar, fica ainda mais perto: é o primeiro marco que qualquer barco encontra ao seguir para oeste a partir da Marina do Funchal, bem antes de as falésias do Cabo Girão surgirem à vista. O porto situa-se mesmo por baixo da via rápida, por isso a vila lê-se primeiro como um porto de trabalho e só depois como um miradouro — a maior parte dos ângulos fotogénicos vê-se a partir da água ou da estrada em socalco por cima.
Porque se chama Câmara de Lobos?
O nome traduz-se como "covil de lobos", e nada tem a ver com lobos verdadeiros. Quando o explorador João Gonçalves Zarco desembarcou aqui em 1420, durante o descobrimento da Madeira, encontrou lobos-marinhos deitados nas rochas e confundiu-os com lobos do mar — o nome ficou colado à baía desde então. Zarco usou Câmara de Lobos como a sua primeira base na ilha, de 1420 a 1424, antes de o próprio Funchal estar devidamente povoado, o que faz deste um dos lugares habitados continuamente há mais tempo na Madeira.
Pelo que é Câmara de Lobos realmente conhecida?
Pela pesca, acima de tudo — sobretudo do espada, o peixe-espada preto que a frota de águas profundas da Madeira traz à superfície de centenas de metros abaixo. O porto continua repleto de pequenos barcos de madeira pintados de cores vivas, usados exatamente para isso, o que dá à baía o seu ar de postal: casas caiadas de branco empilhadas pela encosta acima, vinhas em socalcos a subir atrás delas, e uma parede de falésia a fechar a cena de um dos lados. É uma vila de trabalho, não um resort, o que é parte do motivo por que fica tão bem em fotografia — nada aqui foi construído a pensar na vista.
Porque pintou aqui Winston Churchill?
A 8 de janeiro de 1950, durante uma estadia no Reid's Palace no Funchal, Churchill viajou até Câmara de Lobos, montou o cavalete à entrada da vila e pintou a baía — os barcos de pesca, as casas caiadas de branco, as falésias por trás. É uma das cerca de 500 pinturas que fez ao longo da vida, e uma das mais conhecidas dos seus últimos anos. O local onde trabalhou está hoje assinalado e tem o nome de Miradouro Winston Churchill, a uma curta caminhada acima do porto, com a mesma vista que ele pintou ainda em grande parte intacta.
Câmara de Lobos é mesmo o berço da poncha?
É a vila a quem mais comummente se atribui essa honra. A poncha — aguardente de cana, mel e limão, batidos em conjunto em vez de agitados — é reivindicada por Câmara de Lobos como sua terra natal, e a frente do porto continua repleta de pequenos bares de poncha, sem grandes luxos, onde é feita à moda tradicional, esmagada à mão com um caralhinho de madeira. Quer a vila tenha inventado ou não a bebida por completo, é o que mais se aproxima de uma definição prática de bar de poncha em toda a Madeira.
Dá para nadar em Câmara de Lobos?
Não muito, e não faz mal — a baía principal é um porto de trabalho, cheio de barcos de pesca e cabos de amarração, não um local para nadar. Não há praia que se veja aqui; o atrativo são os barcos, as falésias e a história, não a água. No percurso da Chifbay, Câmara de Lobos é a vista de abertura e não uma paragem para nadar — o banho acontece mais adiante na costa, na Fajã dos Padres e em Ribeira Brava, depois de o barco ultrapassar o Cabo Girão.
Câmara de Lobos está incluído num passeio de barco a partir do Funchal?
Sim — é a primeira coisa que se vê no Day Trip privado da Chifbay a partir da Marina do Funchal, antes do plano de drone no Cabo Girão e das paragens para nadar na Fajã dos Padres e em Ribeira Brava que se seguem. Passar pelo porto de barco dá quase o mesmo ângulo de onde Churchill pintava, só que abordado a partir da água em vez da estrada em socalco — a cor dos barcos e a escala da falésia por trás deles lê-se de forma diferente ao nível do mar do que vista de dentro de um carro.
Qual é a melhor altura para visitar?
Qualquer altura do ano resulta, já que a vila não depende do tempo ou da estação como uma praia depende — os barcos, o porto e os bares de poncha estão lá durante todo o ano. O final da tarde dá às falésias por trás da vila a sua melhor luz, e é também sensivelmente a hora a que os barcos da Chifbay passam a caminho do Cabo Girão e das enseadas mais adiante.
A maioria das pessoas que visita Câmara de Lobos conhece apenas um facto sobre a vila — que Churchill pintou aqui — e parte sem reparar no resto. É mais antiga do que o Funchal, deu à Madeira a sua bebida nacional, e continua a pescar da mesma forma que pescava há um século.
Quer se pare na estrada em socalco quer se passe por mar, Câmara de Lobos vale mais do que os cinco minutos que a maioria dos roteiros lhe dá — um porto de trabalho que por acaso já recebeu um primeiro-ministro com um pincel na mão.