Diário · Natureza

Curral das Freiras: o Vale das Freiras da Madeira

1 de agosto de 20267 min de leituraFunchal · Madeira

O Curral das Freiras é uma aldeia escondida no interior de uma cratera vulcânica extinta, no coração montanhoso da Madeira, cercada de picos por todos os lados e a cerca de meia hora do Funchal. É um dos desvios mais dramáticos que se pode fazer a partir da costa — e tem, por trás do nome, uma história verdadeiramente singular.

O que é o Curral das Freiras?

O Curral das Freiras é uma freguesia e aldeia situada a cerca de 461 metros acima do nível do mar, no fundo do que foi outrora uma enorme caldeira vulcânica no centro da Madeira. Paredes de montanha escarpadas — algumas das mais altas da ilha — erguem-se quase na vertical em seu redor, e é por isso que, durante séculos, a única forma de lá chegar era a pé ou de mula, por estreitos caminhos de montanha. Hoje é um dos destinos do interior mais visitados da ilha, não por um monumento em particular, mas pelo cenário em si: uma aldeia verde, em socalcos, que parece impossível de alcançar.

Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — pormenor
Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — pormenor
Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — pormenor
Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — pormenor

Porque se chama Vale das Freiras ao Curral das Freiras?

Porque foi, literalmente, um refúgio de freiras. Em 1566, corsários franceses atacaram o Funchal e as freiras do Convento de Santa Clara da cidade fugiram para o interior, para este vale remoto e isolado pelas montanhas, a fim de se esconderem — um lugar tão fechado e de acesso tão difícil que se tornou um esconderijo natural. O nome Curral das Freiras, "curral das freiras", ficou desde então, e a história continua a ser a primeira coisa que a maioria dos locais lhe contará sobre a aldeia.

Como se vai do Funchal ao Curral das Freiras?

De carro, em cerca de 20 a 30 minutos. O Curral das Freiras fica a aproximadamente 15km a norte do Funchal e, durante a maior parte da sua história, chegar lá significava percorrer uma longa estrada de montanha colada à falésia. Isso mudou em 2004, quando foi aberto um túnel rodoviário de 2.4km através da parede da cratera, reduzindo a uma questão de minutos um trajeto que antes era longo e de deixar os nervos em franja. Um carro de aluguer ou um táxi é a forma mais fácil de lá chegar; a carreira 81 da Rodoeste também parte do Funchal, embora demore mais perto de 35 minutos.

O que é o miradouro do Eira do Serrado e é obrigatório parar lá?

Sim — é a primeira vista clássica do vale. O Eira do Serrado é um miradouro a cerca de 1,095 metros de altitude, com estrada própria e sinalizada acima da cratera, onde uma caminhada curta e fácil desde o parque de estacionamento o leva a uma plataforma suspensa sobre o Curral das Freiras e os picos que o encerram. É o postal do vale, e a maioria dos visitantes pára aqui antes ou depois de descer à aldeia, uma vez que as duas vistas — de cima e do fundo — são experiências completamente diferentes do mesmo lugar.

É possível descer a pé até à cratera em vez de ir de carro?

Sim. A Vereda das Voltas desce em zigue-zague, a pé, desde o Eira do Serrado até ao fundo da aldeia, oferecendo aos caminhantes uma versão mais lenta e mais próxima da descida que os automobilistas fazem pela estrada. Para algo mais longo, o PR12 (Caminho Real da Encumeada) é um percurso exigente de 12.5km entre cerca de 830 e 1,323 metros, do lado da Boca da Corrida da cratera, seguindo as montanhas que separam o Curral das Freiras da passagem da Encumeada — uma caminhada para um dia inteiro, e não um desvio rápido, com vistas sobre o vale que a estrada nunca lhe dá.

Pelo que é famoso o Curral das Freiras à mesa?

Pelas castanhas. O clima mais fresco de montanha do vale é muito mais favorável aos castanheiros do que a costa, e as cozinhas locais constroem uma ementa inteira em torno delas — sopa de castanha, bolo de castanha e licor de castanha (licor de castanha) vendido em garrafinhas nas lojas e cafés da aldeia. A truta (truta), criada nas águas frias do vale, é o outro prato que os locais recomendam aos visitantes. É uma cozinha genuinamente diferente da costa da espetada e da poncha, que justifica a viagem por si só, se gosta de comer bem.

Quando é a Festa da Castanha no Curral das Freiras?

A Festa da Castanha decorre durante dois dias, no final de outubro e início de novembro — de 31 de outubro a 1 de novembro nas edições mais recentes — e é organizada pela Casa do Povo da freguesia. As bancas enchem a aldeia com castanhas assadas na hora, licor de castanha, bolo de castanha e ginjinha, e é uma das poucas alturas do ano em que o Curral das Freiras fica verdadeiramente animado. Se estiver na Madeira na viragem para novembro, vale a pena planear a visita em torno da festa.

Vale a pena uma escapadinha de meio dia ao Curral das Freiras?

Sim, se quiser conhecer um lado da Madeira completamente diferente do costeiro. Entre a viagem de subida, a paragem no Eira do Serrado, um passeio pela aldeia e o almoço, a maioria dos visitantes reserva entre três a quatro horas de porta a porta a partir do Funchal — facilmente feito numa excursão de manhã ou de tarde, sem ocupar o dia inteiro. Combina naturalmente com outras paragens de montanha, como o teleférico do Monte ou o Pico dos Barcelos no regresso, já que nenhuma exige grande desvio da mesma estrada.

Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — a bordo
Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — a bordo
Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — a bordo
Curral das Freiras: guia completo do Vale das Freiras na Madeira — a bordo

É possível combinar com um dia no mar?

Não na mesma manhã — o Curral das Freiras é um desvio de montanha para o interior, e a costa é um mundo completamente à parte. A maioria dos visitantes trata a cratera como uma escapadinha de meio dia e reserva outro dia para o mar: um passeio de barco privado com a Chifbay a partir da Marina do Funchal passa pelo Cabo Girão, enseadas escondidas e golfinhos, no extremo oposto da paisagem madeirense em relação a uma aldeia fechada pelas montanhas a 461 metros — e é precisamente esta amplitude, da cratera à costa, que faz valer a pena passar aqui alguns dias.

A maior parte da Madeira mostra-lhe o oceano. O Curral das Freiras mostra-lhe como é a ilha quando lhe viramos as costas.

Não é uma paragem de cinco minutos, nem fica a caminho de mais lado nenhum — mas uma aldeia de cratera que escondeu freiras dos piratas, com licor de castanha à espera lá no fundo, merece bem o seu meio dia.

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